A Maratona de 65 Jogos: Cade Cunningham e a Oposição da NBPA

Por Alex Kim · Publicado em 2026-03-25 · NBPA pede mudança na regra dos 65 jogos, citando o caso de Cunningham

A regra de elegibilidade de 65 jogos da NBA para prêmios de fim de temporada deveria ser uma vitória para todos. Mais estrelas em quadra, menos noites de "gerenciamento de carga" e um caminho mais claro para troféus de MVP e seleções All-NBA. Mas, como muitas regras bem-intencionadas, ela está começando a mostrar algumas rachaduras, e a NBPA está, com razão, apontando para jogadores como Cade Cunningham como exemplos claros de suas consequências não intencionais.

Cunningham, o inegável pilar da franquia Detroit Pistons, perdeu 24 jogos nesta temporada. Ele jogou 62, apenas três a menos do limite. Pense nisso por um segundo. Ele teve médias de 22,7 pontos, 7,5 assistências e 4,3 rebotes por jogo, um salto significativo em relação à sua temporada anterior saudável. Sua porcentagem de True Shooting subiu para 54,9%, em comparação com 50,8% em 2021-22. Ele era o motor de um jovem time dos Pistons, muitas vezes a única ameaça ofensiva consistente. No entanto, por causa de alguns jogos perdidos – alguns dos quais devido a recuperação de lesões legítimas, não apenas descanso – ele está fora da disputa por All-NBA ou qualquer outro prêmio individual. Parece um pouco punitivo, não parece?

As Consequências Não Intencionais

A intenção da liga era clara: fazer com que as estrelas jogassem com mais frequência. E, em certa medida, funcionou. Vimos menos jogadores de alto perfil sentados em jogos consecutivos quando estavam perto da marca de 65 jogos. Joel Embiid, por exemplo, lutou contra uma lesão no joelho para atingir 39 jogos antes de sua ruptura do menisco que encerrou a temporada, qualificando-se por pouco para a consideração de MVP. Mas a regra não diferencia entre um jogador que tira uma noite de folga para descansar e um jogador afastado por uma lesão legítima e inevitável. É aí que a NBPA tem um caso real.

Considere a corrida de Shai Gilgeous-Alexander para o MVP. Ele jogou 75 jogos, com média de 30,1 pontos e levando o Thunder à primeira posição no Oeste. Nikola Jokic jogou 79 jogos. Luka Doncic jogou 70. Esses são homens de ferro, e eles merecem seus elogios. Mas e um jogador como Cunningham, que teve números impressionantes nos jogos que disputou, que claramente elevou sua equipe (mesmo que os Pistons ainda tivessem dificuldade em vencer jogos, terminando com 14-68)? A regra atual trata uma entorse de tornozelo em novembro da mesma forma que um dia de descanso planejado em março. Isso é um problema para a avaliação do jogador e, francamente, para o espírito dos prêmios.

Encontrando um Meio-Termo

A NBPA não está pedindo que a regra seja totalmente descartada. Sua proposta, no mínimo, é alterá-la. Talvez seja uma escala móvel para jogos disputados, ou uma isenção para jogadores que perdem tempo devido a lesões específicas e documentadas. Talvez um jogador que jogue 60-64 jogos ainda possa ser elegível se atingir certos limites estatísticos ou jogar uma alta porcentagem dos jogos de sua equipe enquanto saudável. Veja bem, ninguém quer voltar aos dias de Kawhi Leonard jogando 50 jogos e ainda estando na conversa para DPOY. Isso era excessivo. Mas o pêndulo pode ter balançado demais para o outro lado.

É o seguinte: os prêmios individuais, embora não sejam o objetivo final, importam para os jogadores. Eles impactam as negociações de contrato, o legado e até mesmo as candidaturas ao Hall da Fama no futuro. Desqualificar um jogador como Cunningham, que claramente se dedicou à sua arte e teve um desempenho de nível All-Star na maior parte da temporada, simplesmente porque ele ficou três jogos aquém de um número arbitrário, parece fundamentalmente injusto. A liga precisa encontrar um equilíbrio melhor.

Minha opinião? A liga precisa implementar uma cláusula de reserva de lesão para a elegibilidade de prêmios na próxima temporada. Se um jogador perder mais de 10 jogos devido a uma única lesão oficialmente documentada, ele deve receber uma redução proporcional no requisito de 65 jogos. Caso contrário, continuaremos a ver casos como o de Cunningham, e isso é ruim para os jogadores e, em última análise, para a integridade dos prêmios.